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Amados que não se amam

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Para onde estamos indo? O que estamos fazendo com os nossos semelhantes? Analisar a violência, identificando com precisão suas causas e efeitos não é algo a ser feito com uma atitude simplista, superficial. Contudo, percebê-la tem sido cada vez mais fácil. A imagem acima veio de uma favela do Rio de Janeiro/RJ. Mas, de onde vem o rosto aflito do adolescente do lado esquerdo da foto, com uma testa franzida que antecede uma ou muitas lágrimas? O que passa no coração da mulher que, do lado direito, segurando um objeto nas próprias mãos, as coloca sobre o peito como se assim protegida pudesse ficar? O que dizer do senhor de bigode e óculos que, ao lado daquele que está sob a mira do Policial, busca intervir para que mais uma tragédia não aconteça? Atrás desse, um senhor afro-descendente, engrossa o coro dos que tentam evitar o derramamento de sangue. Além desses, restam na foto, em primeiro plano, de costas e camisa branca, do lado direito, um espectador. Bem atrás, mais distante, outro Policial com um AR-15 nas mãos é outro espectador que completa a cena registrada pela foto.

Não pretendo tecer comentários sobre os personagens principais dessa foto, mas sobre os que estão ao redor deles. Pois, é assim que nós estamos, ao redor da violência, ou mesmo cercados por ela. Afirmar que falta Deus na vida do Policial que segura a pistola automática em direção a um homem aparentemente desarmado, e que falta inteligência ao que busca enfrentá-lo sem sequer meio de defesa, é a parte óbvia, e por isso mesmo, desnecessária de se falar.

Onde eu e você estamos nessa foto? No rosto aflito do adolescente? Aflitos e paralisados pelo medo? Afastados como aquela mulher do lado esquerdo, protegendo-nos como podemos, crendo que assim não seremos as próximas vítimas? Será que nos assemelhamos mais com o jovem espectador e, vestimos “camisas brancas”, posicionando-nos contra a violência, mas sem nada fazer para que ela cesse? Armados e à distância esperando a nossa oportunidade de aumentá-la tal qual aquele Policial com a metralhadora em mãos? Se você não se viu em nenhum desses personagens, restaram os dois “loucos” que, sem armas nas mãos, e mesmo não estando diretamente na mira do Policial resolvem gritar, agir, interagir, intervir, mover-se, mobilizarem-se.

Esses dois são, na minha opinião, os dois personagens principais dessa foto. Eles parecem “loucos” porque suas atitudes não são razoáveis, proporcionais, ignoram a segurança pessoal, porque se arriscam, colocam a própria vida sob perigo eminente, mesmo sob o risco de, após tudo terminado, não receberem sequer uma palavra como “obrigado”.

Essa breve descrição desses dois homens, fez-me lembrar da atitude de um homem que agiu assim há mais de 2000 anos. Não era razoável morrer em uma cruz. Era desproporcional ao que Jesus havia recebido da maior parte das pessoas. Poucos deram amor a Ele. Ele trocou Sua segurança pessoal pela nossa segurança pessoal. Jesus se arriscou e não colocou a Sua vida em perigo eminente, foi perigo que se transformou em morte consumada.

Torna-se fácil chegar à conclusão que, se Jesus tivesse presenciado fisicamente aquela cena na comunidade no Rio, Ele agiria como aqueles dois “loucos” e arriscaria a própria vida para salvar apenas 1 homem, conforme eles fizeram.

Seja sincero: você, discípulo de Cristo, quem seria nessa foto? Apenas aflito? Protegendo-se à distância? Um mero espectador? Ou armado esperando chegar sua oportunidade de ser violento?

O Policial e sua provável vítima são amados por Deus. Não se amam.

São amados por nós? Se sim, precisamos agir provando nosso amor, antes que eles se matem.

Pense sobre isso.

Pr. Luiz Freitas
luiz@pibja.org

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