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O problema está em nós mesmos!

Tenho recebido muitos e-mails com diferentes posicionamentos relativamente ao texto de minha autoria “Muçulmanos, Outra Vez Não!”. Conquanto interessantes, significativos, gostaria de tão somente lembrar que o foco de meu artigo NAO ESTÁ NO AVANÇO ISLÂMICO, e sim, nas RAZÕES PELAS QUAIS FOMOS DERROTADOS NAS IGREJAS DA ASIA MENOR E NA IMINÊNCIA da repetição das mesmas perdas, nos dias de hoje, na Europa, Américas do Norte e do Sul. O escrevi, não por simples rivalização com quem quer que seja, senão para testemunho do que vivi e senti, na própria pele, em experiência com um muçulmano em um voo de volta da Turquia, apontando para a urgente necessidade de olharmo com humildade para nós, reconhecendo e extraindo as lições possíveis da história. Por isso é que, conforme leem, selecionei um motivo, em cada uma das sete igrejas do Apocalipse, capítulo 2 e 3, que, mesmo sob admoestação do Senhor, negligenciaram, foram desatentas Àquele que não se cansou de repetir: “Quem tem Ouvidos, Ouça o que o Espírito diz às Igrejas”.

Para cada uma das sete igrejas cito pelo menos uma razão pela qual fomos, como cristãos, derrotados lá na Ásia Menor, terra correspondente hoje à Turquia. Seleciono, como exemplo aqui, pelo menos duas delas: PERDEMOS O PRIMEIRO AMOR! Ou seja, o foco está em nós! Qual de nós ignora que cristianismo é amor de Deus para conosco, e nosso para com Ele e para com os outros? Contudo o mundo está indo de mal a pior nos quesitos da ética, da moral e no decorrer da história, como cristãos, temos sido omissos, ainda que conscientes de que o Evangelho de Jesus não fecha portas a ninguém, recebe pecadores restabelecendo-lhes a dignidade, abrigando e honrando; nobilitando e liberando o homem perdido para quem nosso Deus deu provas irrefutáveis do quanto o ama.

Um outro exemplo, DEIXAMOS DE SER COMO JESUS! Isto é, o foco continua em nós! Obcecados na defesa meramente política do “status quo” religioso, perdemos de vista o todo, a noção das dimensões da missão da igreja no mundo, nos circunscrevendo a simples religiosos quantas vezes sem propósito. Talvez tenha sido por motivos semelhantes que Jesus tenha sido levado a questionar tanto “o espírito” da prática farisaica?

Ora, desde a Ásia Menor de ontem à Europa e América do Norte de hoje, o diabo parece ter conseguido inocular essa peçonha na vida religiosa dos crentes que, priorizadas as posturas meramente fisiológicas e corporativistas, foram se especializando em como fazer os meios em fins. E no que deu? Um cristianismo nominal, sem demandas de Reino de Deus na terra, longe de ser “sal e luz”, sem sentido, incoerente. “Quando se perde o nexo, as cerimônias transformam-se em cerimonialismo, as leis em legalismo, as tradições em tradicionalismo. O ambiente religioso torna-se asfixiante e os meios mais importantes que os fins”.

Quando pergunto: Muçulmanos, outra vez? Estou apelando a mim mesmo, à minha igreja, aos meus colegas de ministério, não a que nos levantemos contra religião A ou B! Isso é estupidez! Mas, a que compreendamos que a expressão do Apocalipse QUEM TEM OUVIDOS, OUÇA O QUE O ESPIRÍTO DIZ ÀS IGREJAS é agora para nós, uma vez que aqueles para quem ela foi escrita, foram extintos, derrotados, pois não a consideraram, não a levaram a sério!

A Igreja de Jesus Cristo, em seu sentido universal, expressa pelos muitos ministérios locais, por suas organizações e estruturas e sistemas denominacionais, não pode prescindir de alguns critérios dentre os quais selecionei três e os fiz constar naquele artigo por mim escrito: voltar às Escrituras, “ser como Jesus”, isto é, num viver santo, reto e, testemunhar das boas novas mediante um viver comprometido com os valores do Reino.

O mérito e as razões do crescimento de outras religiões, como p. ex. o Islamismo, não residem nelas mesmas senão nos nossos próprios fracassos, produto de uma obra que foi se tornando pífia, desprezível, que já nem consegue mais, em muitos dos casos, dar água a quem têm sede de Deus; de igrejas que sequer cogitam mais ser agências capazes de nutrir os famintos espirituais; que dão o direito de pensar que retiraram da “pauta da missão” a liberação da graça e da misericórdia aos acarrancados de culpas aos milhares; de benevolência para com os depressivos na solidão; de disposição e cuidado para os que apenas requerem atenção, quais ovelhas que demandam de pastor.

A experiência pela qual passei com aquele muçulmano radical, que ao ver-me, havia mais de uma hora, conversando sobre Jesus com outro muçulmano assentado na poltrona ao meu lado naquele voo, e que, ao que tudo indica, premedita impactar-me abordar-me para impactar, e sai de seu lugar, aproxima seu rosto do meu o mais que pode, e realiza o que planejou, ou seja, debocha de Jesus e de seus seguidores, quanto o tenha enfrentado com autoridade, não poderia ser lançado ao descaso. Foi forte demais! Quando ele me diz, com sorriso arrogante, silabando as palavras, que “The Christianity will be banned from the face of the earth, and that very soon the whole world will belong to Muhammad in the name of Allah” (que o cristianismo será banido da terra e que, muito em breve, todo o mundo pertencerá a Maomé em nome de Allah), fica claro aos meus olhos que nossa luta não é contra muçulmanos ou quem quer que seja, senão, contra a indiferença, a imobilidade, a inércia em nossos próprios arraiais de um cristianismo que perdeu suas demandas! O que o Cristo ressurreto manda que João escreva às sete igrejas do Apocalipse, capítulos 2 e 3, dão-nos indicações claras de duas verdades possíveis: de como trilhar os caminhos da igreja vitoriosa ou como adentrar à rota do fracasso. Ou seja, considerar ou desdenhar do que o Espírito diz às igrejas. Interessante é que Paul Krugman, prêmio Nobel de Economia em 2008, em “A desintegração Americana”, da Ed. Record, dentre algumas coisas, alvitra as sete formas de destruir a economia: Pense a curto prazo; Seja ambicioso; Acompanhe a manada; Generalize sem limites; Siga a tendência e, por derradeiro, Jogue com o dinheiro dos outros. Ironicamente esses sete pontos de Krugman vem a ser inteiramente pertinentes também ao âmbito religioso.

Meu despretensioso texto Muçulmanos, Outra Vez não? representa um alerta: não percamos outra vez! Ou, reencontremo-nos com a nossa identidade cristã enquanto parece que ainda é tempo! Desculpe-me fazer referência ao irreverente Paulo Francis, comentarista já falecido, rude no falar e escrever, mas que mexe comigo quando diz: “errar uma vez na história é admissível. Duas vezes no mesmo ponto é idiotice”. Vivemos um tempo veloz, de transição, cuja dinâmica enseja desequilíbrios nas pessoas e nas instituições, sobretudo na igreja de Jesus em muitos lugares completamente perdida quanto ao seu papel como agente de transformação. Onde ela deixou de ser promotora dos valores do Reino de Deus, por um pouco apenas sobreviveu, desaparecendo em seguida, dando lugar a outras culturas que a cada geração dessas emergiam, cujo fenômeno Marco André estuda no seu livro “Crise de Identidade”, na Ed. Vida. Billy Graham, prefaciando “Vida Total da Igreja”, da autoria de Darrell Robinson, Ed. Juerp, adverte: “podemos via a perder a batalha pela mente de homens e mulheres por causa do materialismo e do secularismo A menos que se reverta a tendência, a igreja poderá via a sofrer certamente um declínio”.

Então, o problema é nosso. Ou voltamos ao jeito simples de autênticos cristãos assim reconhecidos não por ser membros de tal ou qual igreja local, necessariamente, mas por questões ligadas a estilo de vida, ou quedaremos para trás. Jesus nos redimiu para uma espiritualizada genuína, própria. Vivemos para ADORÁ-LO, AMANDO-O SOBRE TODAS AS COISAS, AMARMO-NOS UNS AOS OUTROS; Para uma VIDA DE SERVIÇO A DEUS E UNS AOS OUTROS; Para TESTEMUNHO NATURAL, EFETIVO, ALEGRE, DO AMOR DA CRUZ, sem o que estaremos irremediavelmente perdidos, MAIS UMA VEZ!

Discutamos o crescimento do islamismo no mundo sim! Contudo, o façamos especialmente se pudermos também parar, pensar, aprender e mudar, diante das razões porque fomos derrotados lá na Ásia Menor, séculos atrás! Se o fizermos, poderemos tanto encontrar o caminho perdido da igreja enquanto “comunhão” dos santos, de amor determinado a ser sadio e imprescindível, como também readensar o mundo da paz, do amor, do perdão e da esperança que resultam do evangelho da graça de Jesus Cristo, ÚNICO NOME DADO ENTRE DEUS E OS HOMENS PELO QUAL DEVAMOS SER SALVOS!


Pr.Eli Fernandes
Pastor Senior da Igreja Batista da Liberdade em São Paulo, S.P.

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2 Comentários

  1. gostei do artigo

    nos como igreja temos que nos levantar e proclamar as boas novas do evangelho

  2. Acabei de chegar de viagem da Turquia e achei assombroso não haver igrejas evangélicas lá, por isto concordo totalmente com o escritor do artigo. Precisamos voltar ao primeiro amor, esvaziando-nos de nós mesmos para que Cristo possa habitar integralmente em nosso ser.

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